“Sou fotógrafo” fase, amor ou carreira?
- Ton Müller
- 13 de mar. de 2017
- 3 min de leitura
Atualizado: 29 de set. de 2020

Nos últimos cinco anos a profissão “fotógrafo” parece ter tomado doses grandes de taurina para ter tantos adeptos e aspirantes neste ramo tão instigante. Mas nem tudo são rosas, o que parece ser o sonho de carreira para alguns vira pesadelo e vice-versa. Deixa eu contar para vocês o porquê...
Iniciei minha vida de fotógrafo freelance quando na maioria, os fotógrafos eram todos senhores que faziam retratos tradicionais ou tinham funcionários mais novos, mas que seguiam à risca o que o chefe mais velho que já havia fotografado gerações de famílias na cidade. Como não me enquadrava neste meio fui por outro caminho, o de ser independente, com uma câmera e ideias. Sem estúdios, fotos 3x4 ou meigas fotos em porta retratos na vitrine de uma sala comercial superfaturada tirando todo tesão pelo trabalho.
Quando meu nome começou a se propagar como fotógrafo jovem e da fotografia de eventos (em sua maioria na noite, em baladas), muitos outros jovens que por medo, ou mesmo falta de incentivo dos pais e amigos deixavam de lado esta vontade, mas sempre reparava que alguns ali no meio da multidão tinham os olhos voltados para o que eu fazia, e como fazia. E o melhor, livre, por conta e do meu jeito. Que jovem não quer isso para o futuro?
Não demorou para começar a surgir fotógrafos que estavam chegando perto dos 18 anos de idade e já fotografando, colocando sua marca d’água em fotos. Porém o que mais me chamou a atenção foi ver adultos de quarenta anos voltando a fotografia pelo incentivo de “se este rapaz está fazendo, por que eu não posso? ”. Se eu gostei disso? Eu amei, despertar sonhos nas pessoas, incentivar a não dar ouvidos a uma sociedade doente me fez muito bem. Porém as pessoas muitas vezes veem superficialmente. Deixa eu explicar para vocês...
Jovem, vinte e poucos anos, fotógrafo, na noite, curtindo a vida, trabalhando em algo leve e artístico e ganhando dinheiro com isso. É o trabalho dos sonhos, não é mesmo? Pois bem, é sim, mas isso é o superficial. O que as pessoas não pensam muitas vezes ao optarem pelo rótulo fotógrafo são que:
O equipamento fotográfico é supercaro em nosso País, a fotografia exige tempo, muita paciência e dedicação a educação, bons modos, noites em claro, editando, estudando e ganhando alguns problemas como tendinite. Mas lembram do título deste texto? “Fase, amor ou carreira”? É aí que você verá o que a fotografia é em sua vida.
Se for amor, você dará ainda mais o seu sangue por aquilo, nem notará as horas passando ou as dores nas mãos. É a arte correndo em suas veias, é a paixão de captar a história. É o prazer de fazer algo que lhe completa mesmo que vá contra tudo que a sociedade impõe como certo e profissionalmente rentável. Sim, isso mesmo. A fotografia dá dinheiro se você fizer ela funcionar se não ela vira...
Uma Fase, nada mais que isso, pois pode parecer bonito, mas ao ter que trocar alguma peça, fazer reparos, sair na chuva, na noite, carregar equipamento montanha acima, ter sempre um sorriso no rosto e entrar no clima com as pessoas ao seu redor, tudo isso desaparecerá e fim, construa outra. Muitas pessoas neste momento acabam produzindo sessões super baratas, que não pagam o próprio investimento, criam mil promoções e elas próprias desvalorizam o trabalho que mal começou, aí vem o desanimo, clientes chatos e chorões, mal pagadores, o fotógrafo demora para entregar as fotos, não conseguiu grana suficiente pra comprar um computador mais eficiente e então a bola de neve que já está imensa se desmancha em mil pedaços...
...Carreira. Assim como em qualquer área, a fotografia se torna uma carreira como se tornou para mim depois do amor por esta arte. A diferença é como você começa. Por amor, dinheiro ou status. Para virar uma carreira real, palpável, rentável, em primeiro lugar, precisará ter, amor.
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